Efeito de tipos de acasalamentos e razões sexuais na seleção baseada no BLUP1
Elizângela Emídio CunhaI; Ricardo Frederico EuclydesII; Robledo de Almeida TorresII; Paulo Sávio LopesII; José Ivo Ribeiro JúniorIII; Pedro Crescêncio Souza CarneiroIV
Introdução
Em situações reais, no melhoramento animal, ao se definir uma estratégia de seleção visando maiores respostas genéticas, no menor intervalo de tempo, fatores relevantes como: os tamanhos real e efetivo da população, a intensidade e a acurácia da seleção, o método de seleção utilizado, o tempo total de seleção, os sistemas de acasalamentos praticados, além do conhecimento da própria característica considerada na seleção, são fundamentais. Na maioria das vezes estes fatores se relacionam, e, não raramente, há entre eles relações antagônicas (Muir, 1997), que dificultam a otimização do processo de seleção.
Avanços em tecnologias reprodutivas tais como transferência de embriões e fertilização in vitro, em populações comerciais de animais domésticos, têm chamado a atenção de pesquisadores, pois, apesar de proporcionarem rápido progresso genético, conduzem à alta intensidade de seleção e, conseqüentemente, a altos níveis de consangüinidade. Estima-se que, aproximadamente, 50% dos mais de 5.000 touros holandeses jovens submetidos anualmente ao teste de progênie, no mundo, sejam filhos dos dez melhores touros usados de forma intensiva em diferentes países (Weigel, 2001).
Se a seleção ocorre no médio e longo prazos, Falconer & Mackay (1996) destacaram a importância de se considerar a depressão por consangüinidade, que, neste caso, reduz a variabilidade genética e, conseqüentemente, a resposta obtida. Meuwissen & Woolliams (1994) definiram os efeitos detrimentais da consangüinidade como: redução da variância genética aditiva, o que reduz as taxas de respostas e os valores do limite da seleção para a característica alvo de seleção e outras; depressão por consangüinidade para a característica sob seleção, se os efeitos genéticos são não-aditivos; e, finalmente, depressão por consangüinidade na adaptação do animal.
Smith et al. (1998), em estudo recente com bovinos de leite da raça holandesa, relataram que 1% de aumento no coeficiente de consangüinidade das vacas resultou em perdas de 37 kg de leite, 1,2 kg de gordura e 1,2 kg de proteína por lactação, além de atrasar a idade ao primeiro parto em 0,4 dia, aumentar o intervalo de partos em 0,3 dia e reduzir o período de vida produtiva em 13,1 dias.
Levando-se em conta esses efeitos prejudiciais no processo de seleção, o grande desafio passa a ser o de reduzir as taxas de consangüinidade a níveis aceitáveis, no decorrer das gerações ou, de outra forma, tentar otimizar ganhos genéticos em níveis pré-determinados. Segundo Alcalá et al. (1995), taxas de consangüinidade superiores a 10% podem ser perigosas, pois colocam em evidência alguns genes recessivos indesejáveis.
Nesse sentido, diversas estratégias de seleção têm sido propostas, no intuito de otimizar o uso da variabilidade genética em populações de animais domésticos selecionadas e, com isso, assegurar maiores taxas de respostas à seleção, sobretudo no médio e longo prazos, minimizando-se os efeitos prejudiciais da elevação nos níveis de consangüinidade. Relatam-se, na literatura, práticas de acasalamentos não-aleatórios entre os pais selecionados: acasalamentos do tipo fatorial (Woolliams, 1989); acasalamentos com parentesco mínimo, empregando-se programação linear (Toro et al., 1988); e acasalamentos compensatórios (Santiago & Caballero, 1995). Em outras estratégias, impõe-se limitação no número de irmãos selecionados em cada família (Toro & Perez-Encizo, 1990) ou, ainda, predefine-se o valor do parentesco médio entre os indivíduos selecionados (Meuwissen, 1997).
Grundy et al. (1994) combinaram métodos de seleção e tipos de acasalamentos em seu estudo, avaliando, com destaque, o uso de herdabilidades viesadas na seleção baseada no BLUP com uso do modelo animal, em associação ao acasalamento do tipo compensatório. No entanto, segundo Caballero et al. (1996), os tipos de acasalamentos não-aleatórios têm sido pouco investigados.
Este estudo foi conduzido com o objetivo de avaliar diferentes tipos de acasalamentos entre animais escolhidos com base no BLUP para pais da próxima geração, quanto aos valores fenotípicos médios e de consangüinidade média, ao longo de 50 gerações de seleção.
O motivo dessa postagem foi evidenciar o uso criterioso da consanguinidade como estratégia de seleção no processo de evolução do "standard" dos periquitos de exposição. Espero que essa publicação nos ajude a continuar progredindo nesse processo.
Grande abraço!
Glaucco.
GOSTEI DA POSTAGEM E DO ARTIGO!
ResponderExcluirBastante útil!
ResponderExcluirAbç...
Olá Glaucco!
ResponderExcluirGostaria de deixar registrado aqui, que esta postagem da forma que foi descrita citando vários exemplos e suas fontes na busca do melhoramento genético, creio que vém a auxiliar cada criador na montagem e evolução do plantel, já que existem vários artigos na internet discorrendo sobre acasalamentos "inbreeding", "linebreeding" e "outcross".
Parabéns pelo trabalho e pela postagem!
Abraço!
Muito legal a postagem e a intenção! Grande abraço!
ResponderExcluirOi, Glauccão!
ResponderExcluirBem legal esse artigo!
É interessante observar que, na introdução sobre o tema a ser abordado, o autor cita alguns critérios a serem levados em conta em um processo seletivo que busque a apuração genética, e os associa, todos, à "espinha dorsal" de qualquer programa de melhoramento genético que é justamente o "...conhecimento da própria característica considerada na seleção..." .
Essa idéia vem de encontro com uma questão que sempre enfatizo que é a importância do aprimoramento da capacidade de observação do criador, tanto no que diz respeito à percepção de todos os detalhes da "forma" que se busca no periquito ideal, quanto em relação ao comportamento hereditário dessas características.
Notem também que, todas as conclusões e indicações da direção mais conveniente a ser tomada advém do processo "tentativa-erro", posto que esse processo, associado à observação apurada, é a única forma possível de se elaborar essas conclusões.
Para aqueles que já tiveram a oportunidade de ouvir o Renato comentando sobre os processos de seleção genética aplicados ao aprimoramento do gado Nelore, na região de Araçatuba, e de assistir ao DVD que ele sempre insisti em mostrar (kkk....) possivelmente tenham notado, no filme, cujo grande foco é a implementação das "super avançadas" tecnologias no campo da genética animal, aplicada ao gado, a participação discreta de um senhor, uma pessoa simples cuja vivência no dia-à dia com o gado lhe permitiu a apuração da capacidade de observação a respeito desses animais, ao qual atribuiu-se a classificação de "identificador de fenótipo", no meio de todo aquele cenário tecnológico da biogenética.
Pois bem, o que viabilizou todo aquela pesquisa, embasada em tecnologia genética de ponta, na direção do aprimoramento genético da raça, processo esse que ganha conotação muito maior em razão da questão monetária que a envolve, foi justamente aquele senhor simples, que indicava aos geneticistas, dentre os animais observados no projeto, quais exemplares carregavam as "características desejáveis" a serem selecionadas.
Pensem nisso...
Abraço!
Fulvio.